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terça-feira, 5 de abril de 2011

Retrato em grafias

                              Ravinas do tempo marcando sua pele, as dores dos últimos tempos amarrotados por entre as sobrancelhas franzidas. Um olhar vago a reescrever o passado, uma lágrima percorrendo silenciosa, em protesto: o coração do amado ainda em suas mãos enquanto a alma fora entregue a Deus. Ainda assim, desespero era ali antítese, havia apenas sua alma esperando o sopro pela liberdade.
                             Cada vinco de sua pele uma bela pétala perfumada, o da face marcava inteligência da alma, pura e terna, os das mãos, trabalho e honra. Por fora, sabedoria e calma, traços delicados ainda permaneciam ali, e por dentro, frescura quieta e ainda o amor. Pele pálida, lábios finos e sem cor, cabelos marfim em cascata pelos ombros, os olhos chorosos a doar ternura.
                              Não fora bela, não fora aclamada, porem fora amada como se. O mundo inteiro colocado como recanto e afeto verdadeiro. Os músculos da face ajeitados num sorriso de mona lisa traduziam felicidade pelo que já foi e pelo avistamento do ponto, e fim de virgulas. Era hora de paz e alegria, lhe substituindo os vulgos imaginares do fim. 

(K)

Foto em grafias

Veja. A inocência abandonada em gélidos trilhos de ferro. Sim, ela está a sós com suas desgraças; aquelas que demo-la de presente. Tão jovem e sem forças para, nem ao menos, inventar seu mundo infantil, sem estes tons de cinza.

Dela, nós, enquanto sociedade, sugamos tudo, inclusive magia. Restaram pele e osso, olhos para chorar o mundo, e nossa arrogância para ignorá-la.

Não, estes olhos perdidos e chorosos não podem ser da inocência. Eles só vêem um mundo bagunçado e inacabado, em eterna construção. Sempre em desenvolvimento. Estes trilhos que eles enxergam terminam dentro dela mesma, sem rumo.

E este céu sobre sua cabeça... Até o azul é injusto. E o sol, paradoxalmente infeliz.

As vezes nao podemos entender as escolhas da humanidade nem as de Deus, mas nem por isso ou pela impotência de um dentre milhões um rapaz pode deixar de se sentar, em silencio, ao lado da alminha bordada de dores e tão forte. A criança apenas o observava.

(K)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Páginas em Branco


Estas páginas em branco me atiçam agonia. A mente se atrofiou....Meias palavras, ralas e pálidas deslizam dali vagarosamente, numa dificuldade de se apegarem ao papel. As imagens que imprimi em tantas páginas usando grafias do pincel já não me pertencem e após me esvaziar, pensando que me completaria novamente, perdi todos os meus materiais de arte. Tento me chamar de volta, mas não me encontro. Meu fio de prata se partiu ou esqueceu de me trazer de volta a mim mesma. E agora...

(K)

domingo, 3 de abril de 2011

Quidam

Primeiro ato



Enredo

Quidam é um transeunte sem nome, uma figura solitária numa esquina da rua, uma pessoa a passar apressadamente. Podia ser qualquer um. Alguém a chegar, partir, a viver na nossa sociedade anônima. Um elemento na multidão, um entre a maioria silenciosa. Aquele dentro de nós que grita, canta e sonha. É este o "quidam" que o Cirque du Soleil celebra.
Uma jovem enfurece-se; ela já viu tudo o que há para ver e o seu mundo perdeu todo o significado. A sua raiva despedaça o seu pequeno mundo e ela encontra-se no universo do Quidam. A ela junta-se personagens misteriosos que vão tentar seduzi-la com o maravilhoso, o inquietante e o aterrador. Papai e mamãe também têm o seu momento, o fascínio de enxergar e viver novamente. Sentir o sopro de vida como sente uma criança. Perdido atrás das folhas de seu jornal, escondido em sua sala, Papai irá, enfim, abrir os olhos e ver-se rodeado por sua família e entes queridos mais uma vez.
Sentindo-se alienada, Mamãe logo descobrirá a intensa sensação de estar viva por meio da dor e da coragem, da alegria e do amor.

Trilha sonora

A música de Quidam é de uma intensidade dramática notável, com influências que variam entre a música clássica e os sons mais contemporâneos.
Inclui a voz de um homem e de uma criança, o qual dá mais textura e contraste à música. O solista masculino é Mathieu Lavoie, e Audrey Brisson-Jutras, de 11 anos e filha do compositor Benoit Jutras, canta a parte da criança e toca violoncelo.
Seis músicos tocam uma série de instrumentos, incluindo percussão, saxofones, sintetizadores, guitarras eléctricas, guitarras clássicas e instrumentos de cordas.



sábado, 2 de abril de 2011

Do Evangelho segundo Tomé o Dídimo.


Jesus disse:  "Aquele que busca continue buscando até encontrar. Quando encontrar, ele se perturbará. Ao se perturbar, ficará maravilhado e reinará sobre o Todo."

(Texto Gnóstico encontrado em Nag Hammad, em 1945)