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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Onde se repousa


Um túnel infinito e emaranhado de segredos desemboca no centro coronário do peito. Em seu decorrer, não se vê equações nem lógica, mas contradições e interrogações. Com seus nós e curvas, se apresenta como uma rede nebulosa, repleta de perigos...porém, agora, ultrapassada. Um destemido aventureiro se atreve a penetrar-lhe os mistérios. Com bravura adormece seus próprios poréns e a dura razão e vai-se moldando às "leis sem regras" daquele labirinto. As feridas encontradas no caminho lhe são, incrivelmente, indolores.

Com a alma e os pés já frágeis e exaustos, ainda resta-lhe forças para pinçar o tesouro - dos mais preciosos-: um longo suspiro, todo delicado, pertencente àquele belo e complexo ser, cujo coração ousara penetrar. Trançando tal fio, tão forte mas sutil, ao seu próprio, logo deu início à jornada de volta a si.


domingo, 4 de setembro de 2011

Nos primeiros passos da caminhada

Muitas vezes nos embaralhamos, admiramos diversas setas que levam a várias direções até juntar tudo e colocar ao encontro do que brilha em nosso interior.

No início, para se ter um ponto de partida, para se dar os primeiros passos dentro de um mundo desconhecido, acabamos por olhar através dos olhos de um mestre.

No entanto, logo mais, caminhar com as próprias pernas é preciso; se desprender desta grande seta primária, buscar ser seu próprio farol e mestre dos próprios pés.

sábado, 6 de agosto de 2011

Amor e desamor

Sobre imposição de uma vontade e desamor. Um pouco da vivência sobre o amor. Uma de suas facetas.




" Saber amar é compreender o outro em seu pior momento, não em seu melhor.
É fácil exigir do outro uma melhora visto que isso irá proporcionar prazer para nós mesmos, já que é sempre agradável ter a companhia de uma pessoa feliz.

Nos iludimos ao pensar que querer o bem é a melhor coisa que possamos desejar para o outro. Mas na minha opinião, o ato mais raro e com maior potencial de cura é simplesmente sentar ao lado de um ser desestruturado sem exigir dele nada. Somente uma companhia sem julgamentos e exigências pode ver a beleza e pode admirar alguém em seu pior momento. É sempre mais fácil caçar outro alvo para começar de novo a rotina de projeções idealísticas.

Um momento de silêncio, um consentimento é talvez o único remédio para uma alma angustiada, para um caos existencial personificado."

Querer se resolver com o outro e o outro não lhe dar a oportunidade. Isso é algo comum. Quase que se culpa o outro por não lhe permitir uma pacífica resolução. Querer que tudo se resolva neste momento entre si e o outro. É muito mais fácil exigir e julgar a situação do outro não sendo ele. Querer que tudo fique bem para não mais haver esta angústia, este mal estar. Isso não soa egóico demais? E se o outro ainda não estiver preparado? Exigir do outro uma postura de boa ação...é terrível. Cada um tem seu tempo de digerir as coisas, o que não quer dizer que não pretenda chegar à paz, ao entendimento.

domingo, 31 de julho de 2011

Lição de maya.



O passar do tempo é um grande rival da ilusão.
Se o real é aquilo que não tem fim nem início, a ilusão é justamente aquilo que um dia finda.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Avô. Isquemia. Segunda lição

O que podemos aprender em meio ao caos?
Segunda lição: "uma gota de chuva pode revigorar todo um oceano".

Como disse, o neurologista que enfim diagnosticou a isquemia de meu avô é amigo da família. Ele se tornou praticamente parte dela graças ao seu dom.

Por causa deste neurologista meu irmão fora enfim diagnosticado e medicado corretamente: sempre atualizado, descobriu a Meningite Viral da Dengue em meu irmão, quando pouco se falava nela (apenas algum tempo mais tarde a tal doença seria notificada aos gritos pela mídia nacional). Se não fosse por sua sensibilidade, meu irmão teria sido a primeira vítima de Meningite Viral por Dengue em nossa cidade.

Graças ao mesmo médico minha mãe conseguiu a medicação certa após anos de busca, erro e sofrimento. E é graças a ele que muitos recebem atenção nos hospitais em horários nada convencionais como antes das 6h da manhã e depois das 22h da noite. Estes são apenas casos mais próximos de mim, casos dos quais eu posso falar sobre.

Vimos que este médico era o curinga do hospital quando meu irmão esteve internado por uma semana com a tal meningite. Podia-se contar com sua presença todos os dias antes e depois do expediente convencional, como já disse. Para mim, meu irmão e minha mãe, ele era a luz que chegava sempre, nos esclarecendo as dúvidas do tratamento e da doença.

Minha mãe, coruja como ela, repetia sempre as mesmas perguntas até ter segurança do que ouvia; tanto eu quanto meu irmão ficávamos encabulados de tanto que ela era repetitiva e ''neurótica''. E por incrível que pareça, este médico respondia a cada uma das mesmas perguntas como se estivesse sendo feita pela primeira vez; às vezes até mudando as palavras para facilitar o entendimento. E toda essa paciência existia mesmo naqueles horários inconvencionais: antes das 6h e depois das 22h.

Vimos também como atende o primeiro e o último paciente do dia da mesma maneira. Vimos isso nas visitas que fazia inconvencionalmente ao meu irmão no início e no fim do dia. Tinha tato, sabia a hora certa de falar, de fazer rir, sabia o que e a quem falar, era sempre educado e atencioso com todos, e olhava tanto o paciente quanto o acompanhante nos olhos, sempre ouvindo atentamente ao que diziam. E vê-se que se interessa por cada caso, sente prazer no que faz. Todos no hospital o admiram.

E são seres assim, em meio à maioria cinzenta, que nos nutre. E nutre ainda mais quem quer seguir de coração na área da saúde, nos mostrando que é possível fazer a diferença, que "uma gota de chuva é capaz de revigorar todo um oceano".

Sim, nem tudo são uma mar de rosas...penso em seu ritmo de vida um tanto exagerada, apesar de nutridora para si...imagino se tem tempo para sua família, filho, esposa...na vida de sacrifícios...se há equilíbrio. No entanto, com um pouco mais de temperança, vemos que seus pequenos e grandes atos fazem total diferença.

(Obs: desculpem, mas omiti nomes e diagnósticos.)